''Atrás das janelas, retomo esse momento de mel e sangue que Deus colocou tão rápido, e com tanta delicadeza, frente aos meus olhos há tanto tempo incapazes de ver: uma possibilidade de amor. Curvo a cabeça, agradecido. E se estendo a mão, no meio da poeira de dentro de mim, posso tocar também em outra coisa. Essa pequena epifania. Com corpo e face. Que reponho devagar, traço a traço, quando estou só e tenho medo. Sorrio, então. E quase paro de sentir fome.''
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O que sou não é o mesmo do que fui ontem, e mesmo assim continuo o mesmo

Batendo em portas procurando o teu rosto
O meu
Em cada um deles encontro resquícios do que fomos
Do que fui, e jamais voltarei a ser.
Sou o que não era
E o que nunca fui
E serei.
Sou aquele rosto atrás da porta encobrindo as lembranças do que não vivi
E lembro
Vestígios de um corpo pesando sobre o meu

Corpo neutro, sem face, forma ou cor
Pele branca, morena e amarelada
Todas elas numa só
Inexistente
Pele negra
Pele marcada, rasgadas pelos golpes da foice
E cicatrizada pelas mãos do tempo
Tempo em que não fui
Sequer vivi
Pele suja, profana
Promíscua
Pele de todos e de ninguém.

Pedroza

26.ago..14 Há 4 dias

946 poesias e eu ainda te escrevo, eu ainda te vejo.

Da via à láctea
eu cruzo com os cometas
e asteroides,
mas meu ponto de colisão é você.

Da via à láctea,
meus infinitos
se traduzem
na galáxia dos teus olhos.

Da via à láctea,
eu tenho 946 motivos,
metáforas
e reticências
pra te escrever.

Voraz, Carol Souza

(via oxigenio-dapalavra)

14.ago..14 Há 2 semanas
14.ago..14 Há 2 semanas